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Com agenda e discursos, Rodrigo Garcia busca se aproximar de policiais

São Paulo – Nessa quinta (9/6), o governador de São Paulo, Rodrigo Garcia (PSDB), enviou à Assembleia Legislativa (Alesp) uma proposta de criação da Polícia Penal. Na prática, essa nova categoria englobará os agentes penitenciários e os responsáveis pelas escoltas de presos.

O projeto é mais um aceno do político, que tenta a reeleição, às forças policiais. Desde que assumiu, Garcia tem se preocupado em se aproximar da categoria nos discursos e nas agendas. Os agentes de escolta de presos, muitas vezes terceirizados, esperavam há anos por uma medida que os garantissem mais direitos e uma equiparação com os policiais.

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O tucano busca melhorar a imagem do governo com esse grupo e conquistar votos de policiais que tenderiam a apoiar Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Respaldado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), o ex-ministro da Infraestrutura possui forte apelo com discurso punitivista e pró-agentes da segurança pública e sempre tenta inserir a categoria em seus discursos, além de fazer agendas frequentes ao lado de deputados policiais de São Paulo.

Visitas a comandos e “bala da polícia”

Em maio, o governador disse que bandido que “levantar arma vai levar bala” e que “se tiver alguém que morrer, que morra o bandido e não o policial”. Na ocasião, a fala foi criticada por instituições e especialistas em segurança pública, que avaliaram que o discurso pode incentivar a violência policial.

O tucano também chegou a defender a retirada das câmeras das fardas dos agentes – iniciativa adotada por seu antecessor João Doria, de quem era vice –, mas depois recuou. Outra medida foi aumentar o efetivo policial nas ruas, de 5 mil para quase 10 mil, pagando horas extras.

Sob sua gestão, a Polícia começou a organizar blitze para revistar motoqueiros entregadores de delivery, em meio a um crescimento de roubos por bandidos disfarçados desses profissionais na capital.

4 imagensNo discurso, adotou um tom mais duro contra a criminalidade e em prol dos policiais. Em maio, o governador disse que bandido que “levantar arma vai levar bala”.Ele tem feito diversas visitas a batalhões, comandos e também tem comparecido a formaturas de policiais militares.Recentemente, anunciou a criação da Polícia Penal e a convocação de 1.500 agentes penitenciários que foram aprovados em concurso público, anúncios que eram esperados pelos sindicatos dessa categoria.Fechar modal.1 de 4

Governador Rodrigo Garcia (PSDB) tem acionado para polícias em discursos e agendas.

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No discurso, adotou um tom mais duro contra a criminalidade e em prol dos policiais. Em maio, o governador disse que bandido que “levantar arma vai levar bala”.

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Ele tem feito diversas visitas a batalhões, comandos e também tem comparecido a formaturas de policiais militares.

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Recentemente, anunciou a criação da Polícia Penal e a convocação de 1.500 agentes penitenciários que foram aprovados em concurso público, anúncios que eram esperados pelos sindicatos dessa categoria.

Governo do estado de São Paulo

Em relação às agendas, de abril até esta semana, início de junho, foram ao menos 13 visitas a batalhões e comandos policiais, em cidades como Taubaté, Bauru, Presidente Prudente, Araçatuba, Santos, Itapetininga, São José do Rio Preto, Piracicaba e Campinas.

Além disso, ele inaugurou delegacias, um batalhão de ações especiais (BAEP) em Guarulhos, participou de formaturas de PMs e visitou a Rota, onde participou de uma cerimônia de entrega de medalhas e de eventos de entregas de viaturas e armas.

Outra medida que agradou os policiais foi a convocação, nessa última quinta (9/6), de 1.500 Agentes de Escolta e Vigilância Penitenciária (AEVP), aprovados em concurso público realizado em 2014.

Com isso, haverá mais efetivo para escoltas, vigilância e custódia de presos e guarda das unidades prisionais, tirando essa responsabilidade da PM – que atualmente precisa cuidar de escoltas no interior e na Baixada Santista. Recentemente, o mandatário também anunciou um bônus de R$ 176 mil a policiais que bateram metas de redução de criminalidade.

O que é a Polícia Penal?

A Polícia Penal é uma medida prevista na Constituição desde 2019, por conta da Emenda Constitucional 104/2019, mas cabe aos estados regulamentá-la e instituí-la de fato.

De acordo com a regra geral, os agentes penitenciários e de escolta passam a ser uma força de segurança pública e não mais da Justiça, e ganham direitos equiparados às outras polícias – Militar e Civil. Agora, somente os membros dessa Polícia Penal é que poderão cuidar da guarda das penitenciárias, e não mais PMs.

Se aprovada na Alesp, uma das mudanças mais importantes será o fato de que agentes penitenciários só poderão ser contratados por meio de concurso público, e não mais por contratação direta ou terceirizada. A medida era muito esperada pela categoria, tanto que o evento no qual Garcia anunciou a criação da Polícia Penal foi acompanhado por diversos sindicatos.

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