Investigação aponta suspeitas na movimentação financeira do filme sobre Jair Bolsonaro e questiona a viabilidade das projeções de arrecadação

A estrutura financeira de Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), passou a ser analisada pela Polícia Federal após a identificação de possíveis irregularidades na movimentação de recursos do projeto. Entre os documentos encontrados no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro está o “Plano de Negócio Capitão do Povo V5”, que previa uma arrecadação de até US$ 100 milhões nos cinemas — cerca de R$ 512 milhões pela cotação de sexta-feira (11/9).
O material foi divulgado depois que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo de investigações relacionadas às fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.
Três cenários de bilheteria
O plano de negócios apresentava três estimativas para o desempenho de Dark Horse nas salas de cinema:
- Cenário pessimista: US$ 45 milhões, aproximadamente R$ 230,4 milhões;
- Cenário conservador: US$ 70 milhões, cerca de R$ 358,4 milhões;
- Cenário otimista: US$ 100 milhões, equivalente a R$ 512 milhões.
Para a Polícia Federal, os números chamam atenção por estarem muito acima dos padrões registrados pelo mercado cinematográfico brasileiro.
O relatório cita como comparação a bilheteria de Minha Mãe É uma Peça 3, lançado em 2019 e apontado no documento como a maior arrecadação da história do cinema nacional até aquele momento, com cerca de R$ 120 milhões.
Segundo os investigadores, a projeção mais otimista de Dark Horse superaria esse resultado em mais de três vezes e se aproximaria do desempenho de grandes produções internacionais. A PF afirma que a diferença entre as estimativas e os parâmetros do mercado brasileiro justifica uma análise mais aprofundada sobre a viabilidade econômica do projeto e a finalidade real da operação financeira.
Orçamento de US$ 25 milhões
A investigação aponta que o orçamento previsto para a produção era de US$ 25 milhões. O plano estabelecia a venda de 50 cotas de patrocínio, cada uma avaliada em US$ 500 mil, valor que corresponderia ao custo total estimado do filme.
No documento, o chamado “investidor 3”, identificado pela investigação como Daniel Vorcaro, teria adquirido 48 dessas cotas. A participação representaria um aporte de US$ 24 milhões, aproximadamente R$ 122 milhões.
A Polícia Federal ressalta que projeções acima da média do mercado não comprovam, por si só, a ocorrência de crime. Para os investigadores, porém, as discrepâncias justificam a continuidade da apuração sobre a origem e a destinação dos recursos, além da compatibilidade entre os valores movimentados e a produção de Dark Horse.


