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Brasil

Dark Horse previa até R$ 512 milhões em bilheteria, segundo documento analisado pela PF

Investigação aponta suspeitas na movimentação financeira do filme sobre Jair Bolsonaro e questiona a viabilidade das projeções de arrecadação

Por Samuel Carvalho 2 min de leitura
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Ator de terno com faixa verde e amarela diante de céu nublado

A estrutura financeira de Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), passou a ser analisada pela Polícia Federal após a identificação de possíveis irregularidades na movimentação de recursos do projeto. Entre os documentos encontrados no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro está o “Plano de Negócio Capitão do Povo V5”, que previa uma arrecadação de até US$ 100 milhões nos cinemas, cerca de R$ 512 milhões pela cotação de sexta-feira (11/9).

O material foi divulgado depois que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo de investigações relacionadas às fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.

Três cenários de bilheteria

O plano de negócios apresentava três estimativas para o desempenho de Dark Horse nas salas de cinema:

  • Cenário pessimista: US$ 45 milhões, aproximadamente R$ 230,4 milhões;
  • Cenário conservador: US$ 70 milhões, cerca de R$ 358,4 milhões;
  • Cenário otimista: US$ 100 milhões, equivalente a R$ 512 milhões.

Para a Polícia Federal, os números chamam atenção por estarem muito acima dos padrões registrados pelo mercado cinematográfico brasileiro.

O relatório cita como comparação a bilheteria de Minha Mãe É uma Peça 3, lançado em 2019 e apontado no documento como a maior arrecadação da história do cinema nacional até aquele momento, com cerca de R$ 120 milhões.

Segundo os investigadores, a projeção mais otimista de Dark Horse superaria esse resultado em mais de três vezes e se aproximaria do desempenho de grandes produções internacionais. A PF afirma que a diferença entre as estimativas e os parâmetros do mercado brasileiro justifica uma análise mais aprofundada sobre a viabilidade econômica do projeto e a finalidade real da operação financeira.

Orçamento de US$ 25 milhões

A investigação aponta que o orçamento previsto para a produção era de US$ 25 milhões. O plano estabelecia a venda de 50 cotas de patrocínio, cada uma avaliada em US$ 500 mil, valor que corresponderia ao custo total estimado do filme.

No documento, o chamado “investidor 3”, identificado pela investigação como Daniel Vorcaro, teria adquirido 48 dessas cotas. A participação representaria um aporte de US$ 24 milhões, aproximadamente R$ 122 milhões.

A Polícia Federal ressalta que projeções acima da média do mercado não comprovam, por si só, a ocorrência de crime. Para os investigadores, porém, as discrepâncias justificam a continuidade da apuração sobre a origem e a destinação dos recursos, além da compatibilidade entre os valores movimentados e a produção de Dark Horse.

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