Carlos Cordeiro, assessor-sênior de Gianni Infantino, renunciou ao cargo na Fifa nesta sexta-feira em protesto às recentes intenções do presidente da entidade de vender fatias de participação na Copa do Mundo.
Em declaração oficial à TV inglesa Sky News, Cordeiro afirmou que não pode ficar de “braços cruzados” ao ver a Fifa considerar uma venda da competição como algo viável, e foi claro ao atestar que não participou da realização da proposta. O agora ex-conselheiro já ocupou outros cargos importantes dentro do futebol, como a presidência da Federação de Futebol dos Estados Unidos.
Em 2025, Carlos Cordeiro havia sido nomeado pelo presidente americano Donald Trump como conselheiro-sênior da Força-Tarefa da Casa Branca para a Copa do Mundo de 2026.
Com experiência no setor bancário, Cordeiro foi direto ao expressar que a proposta deve ser rejeitada.
“O futebol tem sido fundamental na minha vida e, após mais de 35 anos no setor bancário, compreendo tanto o valor deste ativo quanto as consequências de ceder parte dele. É por isso que esta proposta deve ser rejeitada. Nesse contexto, vender uma participação permanente no ativo mais valioso do futebol para arrecadar US$ 4,2 bilhões faz pouco sentido. É hipotecar o futuro do futebol sem qualquer justificativa convincente”, disse.
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Entidades repudiam proposta
A renúncia do conselheiro acontece após diversas entidades se pronunciarem fortemente contra a possibilidade de venda. Após reunião realizada na última quinta-feira, a Uefa decidiu de forma unânime que as 55 federações do continente europeu irão boicotar todas as competições da Fifa enquanto a proposta estiver de pé. A medida recebeu apoio tanto da AFC (Confederação Asiática) e da Concacaf (Confedaração das Américas Central e do Norte).
A oposição conjunta das confederações da Ásia (47 membros), da América Central e do Norte (41) e da Europa (55) reúne 143 federações contrárias ao projeto. Com isso, a Fifa já não conseguiria alcançar os 106 votos necessários entre seus 211 filiados para aprovar a proposta.
Apesar da forte resistência, a Fifa afirmou em comunicado que prosseguirá com o “processo de consulta planejado” da proposta de negociar fatias da Copa da Mundo.
Veja nota oficial da renúncia de Carlos Cordeiro
“Como assessor sênior do presidente da Fifa, ex-banqueiro e apaixonado por futebol desde a infância, não posso permanecer em silêncio enquanto a Fifa considera vender uma participação na Copa do Mundo. Quero deixar isso claro: não tive qualquer envolvimento nessa proposta e me oponho a ela de forma inequívoca. Trata-se de um mau negócio para as associações filiadas à Fifa, um mau negócio para o futebol e um mau negócio para o futuro de longo prazo do esporte”.
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