Os bastidores do Palmeiras esquentaram nos últimos dias com farpas trocadas pela presidente Leila Pereira e por grupos da oposição. Após a mandatária se manifestar sobre o pedido de saída de seu marido, José Roberto Lamacchia, conselheiro do clube, dois grupos voltaram a citar o “conflito de interesse” e criticaram a postura da empresária com a situação.
A nota foi assinada pelos grupos Ocupa Palestra e Grupo Arquibancada, que questionaram a postura da presidente, que se referiu a seus opositores como “meia dúzia de imbecis”.
“A reação da mandatária em evento recente com conselheiros, infelizmente, seguiu o mesmo padrão já conhecido da opinião pública: em vez de apresentar respostas técnicas e salvaguardas institucionais a um problema real, a Sra. Presidente preferiu recorrer a desqualificações pessoais e dirigir ofensas verbais aos conselheiros e conselheiras que exercem com rigor o seu dever estatutário”, diz a nota.
Os grupos ainda mencionam manifestação da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf), vinculada à CBF, que teria estabelecido condicionantes para situações de controle ou influência cruzada entre os clubes. Para a oposição, isso demonstra que o debate sobre potencial conflito de interesses é legítimo e reconhecido no ambiente do futebol.
A nota também rebateu as falas de Leila Pereira direcionadas aos conselheiros que questionaram o tema. O texto defende que a fiscalização faz parte das atribuições estatutárias dos conselheiros, sejam eles da situação ou da oposição.
“Em seu pronunciamento, a Sra. Presidente adotou uma conveniente distorção de conceitos: dedicação não substitui regras de compliance, e sua alegada boa vontade não elimina o dever estatutário de blindagem patrimonial e estratégica. Além disso, ao cobrar que os conselheiros aliados se manifestem contra a oposição, há um pedido claro para que abram mão de sua função mais importante, que é a fiscalização dos destinos do clube”, seguiu o comunicado.
Outro ponto levantado pela nota é a pauta da próxima reunião do Conselho Deliberativo, marcada para o dia 19 de outubro. Segundo a oposição, estará em votação a suspensão de um conselheiro acusado de ofender a presidente durante uma reunião. Os grupos defendem que eventuais ofensas dirigidas a conselheiros e conselheiras também sejam apuradas com o mesmo rigor, por meio da abertura de uma sindicância.
Confira a nota na íntegra:
“O futuro do Palmeiras exige responsabilidade, não ofensas.
Recentemente, tornamos pública nossa legítima preocupação com os evidentes riscos de conflito de interesses trazidos pela aquisição da SAF de outro clube brasileiro por empresas do grupo econômico familiar da presidente Leila Pereira. Como se sabe, seu enteado está à frente do processo, tendo o marido da presidente e suas empresas como avalistas do negócio.
A reação da mandatária em evento recente com conselheiros, infelizmente, seguiu o mesmo padrão já conhecido da opinião pública: em vez de apresentar respostas técnicas e salvaguardas institucionais a um problema real, a Sra. Presidente preferiu recorrer a desqualificações pessoais e dirigir ofensas verbais aos conselheiros e conselheiras que exercem com rigor o seu dever estatutário.
*Apontar a existência do conflito de interesses não é um ataque pessoal, mas um alerta para uma situação objetiva de risco institucional.*
O problema é tão real, concreto e reconhecido pelo mercado do futebol que a ANRESF (Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol, da CBF) já se manifestou, neste mesmo caso, estabelecendo condicionantes para situações de controle ou influência cruzada entre agremiações concorrentes. Não imaginamos que a Presidente desqualifique os auditores do caso com ofensas, ou que os considere ‘imbecis’. O futebol brasileiro, para ser cada vez mais forte e saudável, precisa de fiscalização, não de acomodações políticas.
É preciso também deixar claro: nós, torcedores, conselheiros e conselheiras do Palmeiras, não estamos discutindo a legitimidade do Vasco da Gama em buscar parceiros, muito menos de empresas em firmar acordos comerciais. Estamos, única e exclusivamente, na defesa inegociável dos interesses do nosso clube, cobrando das instâncias de fiscalização – em especial do Conselho Deliberativo e do COF – a adoção de barreiras ao vazamento de informações sensíveis, proteção do know-how de negócios da SEP e estabelecimento de políticas rígidas para manutenção de profissionais do clube.
Em seu pronunciamento, a Sra. Presidente adotou uma conveniente distorção de conceitos: dedicação não substitui regras de compliance, e sua alegada boa vontade não elimina o dever estatutário de blindagem patrimonial e estratégica. Além disso, ao cobrar que os conselheiros aliados se manifestem contra a oposição, há um pedido claro para que abram mão de sua função mais importante, que é a fiscalização dos destinos do clube.
Coincidentemente, em nossa próxima reunião do Conselho Deliberativo, dia 19/10, ao invés de debatermos questões essenciais como essa, estará em votação a suspensão de um conselheiro que, reclama a presidente, a ofendeu em reunião. Sugerimos, portanto, que o Presidente do CD, Alcyr Ramos, *trate com o mesmo rigor as violações estatutárias e ofensas proferidas contra conselheiros e conselheiras , abrindo a necessária sindicância para apuração dos fatos*.
Nenhuma ofensa ou ação nos intimidará. O Palmeiras pertence a sua torcida e seu futuro é ainda mais importante do que seu presente“.
Veja também:
Todas as notícias da Gazeta Esportiva
Canal da Gazeta Esportiva no YouTube
Siga a Gazeta Esportiva no Instagram
Participe do canal da Gazeta Esportiva no WhatsApp
O post Oposição do Palmeiras rebate Leila e volta a citar possível conflito de interesses: “Risco institucional” apareceu primeiro em Gazeta Esportiva.


