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PF indicia 15 pessoas em investigação sobre operações entre Banco Master e BRB

Por Samuel Carvalho 4 min de leitura
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PF indicia 15 pessoas em investigação sobre operações entre Banco Master e BRB

Relatório de mais de 700 páginas aponta suspeitas de fraude em negociações de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito. Daniel Vorcaro e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, estão entre os investigados indiciados.

A Polícia Federal (PF) indiciou 15 pessoas no âmbito da investigação sobre possíveis irregularidades em operações financeiras entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). Segundo o relatório policial, as negociações envolveram R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consideradas fictícias pelos investigadores.

Entre os indiciados estão Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. A apuração também alcança diretores, operadores e outros profissionais supostamente envolvidos nas operações.

De acordo com a PF, os fatos investigados podem configurar crimes como gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e organização criminosa, além de outras infrações relacionadas ao sistema financeiro.

Investigação aponta inconsistências nas carteiras de crédito

O inquérito apura operações realizadas entre dezembro de 2024 e abril de 2025, envolvendo a negociação de carteiras de crédito entre as duas instituições financeiras.

Segundo o relatório, os contratos previam a aquisição de créditos da modalidade Credcesta. No entanto, os investigadores identificaram divergências nas informações sobre a origem dos ativos negociados.

Inicialmente, a originação dos créditos teria sido atribuída a duas associações sediadas na Bahia. Posteriormente, a responsabilidade passou a ser associada à Tirreno Consultoria Promotoria de Crédito e Participações S.A.

Conforme a análise da Polícia Federal, a empresa não apresentaria capacidade financeira, estrutura operacional ou recursos técnicos compatíveis com a geração de créditos consignados no volume bilionário investigado.

A PF sustenta que as operações ocorreram sem a comprovação adequada da existência dos ativos, além de apontar falhas nos procedimentos de governança e no controle das carteiras negociadas.

Vorcaro e ex-presidente do BRB são apontados como lideranças

No relatório, Daniel Vorcaro é apontado pela Polícia Federal como líder da suposta organização criminosa. Segundo os investigadores, ele teria centralizado decisões relacionadas à produção, aquisição e transferência das carteiras de crédito utilizadas nas operações.

Já Paulo Henrique Costa é descrito como um dos principais responsáveis pela articulação institucional no âmbito do BRB. A investigação atribui ao ex-presidente participação na condução das negociações que permitiram a realização das operações no banco público.

Essas conclusões fazem parte da apuração policial e não representam, por si só, uma condenação judicial dos envolvidos.

Quem são os 15 indiciados

Segundo a relação apresentada no relatório, os investigados foram distribuídos em diferentes núcleos, de acordo com as funções que teriam desempenhado nas operações.

Núcleo estratégico e de liderança do Banco Master

  • Daniel Bueno Vorcaro;

  • Augusto Ferreira Lima;

  • Angelo Antônio Ribeiro da Silva;

  • Luiz Antonio Bull;

  • Alberto Félix de Oliveira Neto.

Núcleo operacional e de estruturação de empresas

  • Allan da Silva Machado;

  • Henrique Souza e Silva Peretto;

  • André Felipe de Oliveira Seixas Maia;

  • Daniel Lopes Monteiro.

Núcleo de comando do BRB

  • Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa;

  • Dario Oswaldo Garcia Junior.

Diretoria Colegiada do BRB

  • Luana de Andrade Ribeiro;

  • Cristiane Maria Lima Bukowitz;

  • Diogo Ilário de Araújo Oliveira;

  • José Maria Correa Dias Junior.

As suspeitas atribuídas a cada pessoa variam conforme o núcleo e a função que, segundo a investigação, teria exercido. Os enquadramentos incluem, entre outros, gestão fraudulenta, falsidade, fraude em operação financeira, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa.

PF aponta falhas nos controles internos do BRB

O relatório também questiona procedimentos adotados pela Diretoria Colegiada do BRB. Segundo os investigadores, operações de grande impacto financeiro teriam sido aprovadas antes da conclusão de pareceres de controle, mantidas em níveis de autorização considerados inadequados e renovadas mesmo após alertas sobre riscos de liquidez e problemas técnicos.

Para a PF, esses procedimentos indicariam uma atuação reiterada que teria contribuído para a continuidade das operações investigadas.

Defesa de Vorcaro contesta indiciamento

Em nota reproduzida na publicação original, a defesa de Daniel Vorcaro contestou as conclusões da investigação e afirmou que o indiciamento ocorreu sem provas técnicas de fraude ou de prejuízo.

Os advogados defenderam o arquivamento do inquérito relacionado às operações entre o Banco Master e o BRB e solicitaram a revogação da prisão preventiva do empresário, para que ele possa responder ao processo em liberdade.

O indiciamento representa uma conclusão da investigação policial sobre possíveis responsabilidades criminais. A responsabilização definitiva dos envolvidos depende da análise das autoridades competentes e do devido processo legal.

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