Secretaria reforça que todos os procedimentos oferecidos pelo SUS são gratuitos. Pelo menos 30 mulheres relatam ter pago valores de até R$ 3 mil para participar de uma iniciativa que não era reconhecida pelo Hospital Regional da Asa Norte.
A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) emitiu um alerta neste domingo (1º) sobre tentativas de golpes e cobranças indevidas envolvendo serviços da rede pública. A manifestação ocorreu após denúncias de mulheres que afirmam ter pago até R$ 3 mil para participar de um suposto mutirão de cirurgias plásticas associado à campanha Outubro Rosa.
Em comunicado, a pasta reforçou que nenhum atendimento ou procedimento realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) pode ser cobrado. A gratuidade inclui consultas, exames, cirurgias, medicamentos, materiais e insumos.
A secretaria também orientou a população a não realizar pagamentos, transferências ou depósitos para pessoas que prometam facilitar o acesso a consultas e procedimentos ou oferecer atendimento mais rápido.
A SES-DF informou que encaminhará a denúncia à Ouvidoria-Geral do Governo do Distrito Federal e que está disponível para colaborar com as investigações. Casos suspeitos podem ser comunicados à Polícia Civil do DF (PCDF) ou à Ouvidoria do GDF, pelo telefone 162 ou pelo portal Participa DF.
Como funcionava o falso mutirão
As denúncias envolvem uma iniciativa chamada “Renova Mama, Um Recomeço”, que prometia cirurgias gratuitas de redução de mama e colocação de próteses no Hospital Regional da Asa Norte (Hran).
Segundo os relatos, as mulheres eram informadas de que precisariam arcar apenas com os custos dos materiais utilizados nos procedimentos. Os valores cobrados variavam entre R$ 1 mil e R$ 3 mil.
O nome do hospital teria sido utilizado sem autorização para dar credibilidade à proposta. A unidade não reconhecia a realização de um mutirão oficial nos moldes apresentados às pacientes.
Ao menos 30 mulheres integram o grupo de pessoas que aguardavam os procedimentos e afirmam ter realizado pagamentos. De acordo com os relatos, algumas pacientes descobriram que não havia registros de consultas em seus nomes ao comparecerem aos atendimentos supostamente agendados.
Também houve casos de consultas previstas no Hran ou em clínicas particulares que foram canceladas poucas horas antes do horário marcado.
Responsável nega golpe
A responsável pelo projeto, Tayná Regina Oliveira Castro, de 42 anos, também teria utilizado os nomes de cirurgiões plásticos conhecidos no Distrito Federal, afirmando que eles participariam dos procedimentos.
Em nota, Tayná negou ter agido como golpista. Ela afirmou que também teria sido induzida a erro pelas informações recebidas sobre a proposta de cirurgias com valores reduzidos.
A mulher declarou que acreditou na iniciativa, realizou seu próprio pagamento e chegou a comentar com amigas sobre a possibilidade de fazer a cirurgia. Após o surgimento dos questionamentos, disse ter buscado esclarecimentos e providências para a restituição dos valores.
Segundo ela, os fatos serão esclarecidos pelas vias adequadas, com a apresentação dos documentos pertinentes.



